
Sobre Elô
As pessoas costumam chegar até mim procurando respostas.
Com o tempo, percebem que, muitas vezes, estavam procurando a si mesmas.
Talvez eu reconheça esse movimento porque também passei muitos anos tentando compreender o sofrimento humano.
A vida me fez amadurecer cedo e me colocou diante de perguntas que não encontravam respostas simples. Foi essa inquietação que me levou à ciência. Durante anos investiguei, pesquisei e construí uma carreira acadêmica acreditando que compreender era uma forma de cuidar.
E ainda acredito.
Mas, com o tempo, descobri que compreender é apenas parte do caminho.
Existem perguntas que precisam de método. Outras precisam de presença.
Da ciência ao cuidado
Durante cerca de vinte anos, trabalhei com pesquisa e saúde pública, especialmente no estudo de doenças veiculadas por mosquitos. Nesse percurso, publiquei artigos científicos, participei da formação de profissionais de saúde e desenvolvi materiais de educação em saúde.
A ciência me ensinou o valor do método, da observação e da dúvida. Ensinou também a reconhecer os limites daquilo que sabemos.
Enquanto eu estudava a vida, a vida também acontecia em mim.
Paralelamente à trajetória acadêmica, minha curiosidade foi se aproximando de outros territórios: o autoconhecimento, a espiritualidade, as relações e diferentes formas de compreender a experiência humana.
Sou bióloga, doutora em Ciências, doula e terapeuta. Minha formação terapêutica atravessa diferentes perspectivas, entre elas a Psicanálise, a Constelação Familiar e a Leitura de Aura e Registros Akáshicos.
Não procuro transformar esses campos em uma coisa só, nem espero que respondam às mesmas perguntas. Aprendi a reconhecer o que diferentes perspectivas podem oferecer — e também os seus limites.
Carrego o rigor de quem aprendeu a investigar e a curiosidade de quem sabe que nem tudo na experiência humana já pode ser explicado.
Tenho os pés fincados na terra e uma curiosidade que insiste em olhar além dela.

O encontro com o outro
Nunca me interessei por respostas que encerram uma conversa.
Sou movida pelas perguntas que ampliam perspectivas, revelam movimentos e nos permitem olhar novamente para aquilo que parecia já compreendido.
Talvez por isso eu não conduza meu trabalho a partir de um único modelo. Cada pessoa chega com uma história, um tempo e uma forma singular de viver aquilo que a trouxe até ali.
Quando alguém se senta diante de mim, não procuro encontrar apenas a dor que carrega.
Procuro encontrar aquilo que a dor ainda não conseguiu apagar.
Tenho facilidade para perceber os lugares onde determinadas compreensões, defesas ou ilusões ainda podem sustentar o sofrimento. Não para dizer a alguém quem ela é, mas para ajudá-la a construir um olhar mais lúcido sobre si mesma e sobre aquilo que vive.
Talvez seja por isso que eu não desista facilmente das pessoas.
Não porque eu possa fazer o caminho por alguém.
Mas porque sei permanecer olhando junto.
Isso também significa reconhecer limites: há momentos em que uma abordagem não faz sentido, em que um recurso não deve ser utilizado ou em que outro profissional pode ser mais adequado para aquilo que a pessoa precisa.
Para mim, cuidar também é saber discernir essas diferenças.
Nunca abandonei a investigação.
Apenas ampliei seus territórios.
A pesquisadora continua presente na maneira como observo, pergunto e procuro compreender.
Mas hoje sei que não conhecemos a vida apenas pelo pensamento.
Sou mãe de dois filhos. A arte, a dança, a natureza e o silêncio também fazem parte da maneira como habito o mundo. Gosto do desejo como força de vida, da curiosidade que ainda me movimenta, daquilo que continua sendo capaz de me surpreender e dos vínculos que construo pelo caminho.
Continuo curiosa sobre as pessoas, sobre a vida e sobre mim mesma.
Continuo atravessando a vida enquanto acompanho outras travessias.
Talvez por isso eu não compreenda consciência como um lugar de perfeição, mas como a possibilidade de reconhecer a si mesmo e a própria realidade com cada vez mais lucidez, inteireza e liberdade.

Se existe um fio que atravessa minha trajetória, talvez seja esta pergunta:
Como podemos sofrer menos sem deixar de viver profundamente?
É ela que continua movimentando minha investigação e orientando a forma como cuido.